Horizonte Profundo
A L I D O E S P Í R I TO S A N TO O PARAÍSO INFERNAL DAS IMAGENS Laís Possamai A imagem é a linguagem primordial: ver, principal- mente, é a primeira compreensão do existir; muito depois, a fala e a escrita. Como espectadores mu- dos, estamos limitados a territorialidades, interfe- rências culturais e jargões éticos. Como se a vista clara e precisa de uma montanha, obliterada por nuvens, pela chuva ou pelo sol ofuscante, confun- disse o contorno. Somos sujeitos de ummundo com linhas muito bem estabelecidas antes de nós, que permanecerão por muito tempo depois. Na disposição destas imagens, nos permitimos al- guns absurdos. Dispomos do afeto, do desejo e da repulsa como ferramentas para criar contornos na paisagem: reduzimos ou ampliamos os significados a partir do capricho. Antes, uma montanha; hoje, um benefício imobiliário. Antes, uma montanha; hoje, uma memória de infância. Antes, uma monta- nha; hoje, um cenário de crime. A ficção é inerente ao homem, e através dela vivenciamos a realidade. Mas se por condição da realidade ou ausência da irrealidade partimos para compreensões obscuras, difusas ou perturbadoras do cotidiano, somos colo- cados diante de umnovo conflito: a insuficiência da imagem. Então, surge a compreensão artística, elu- cidativa ou não, da imagem sujeita. Em ambos os casos, seja vivificando ou extermi- nando o sentido, o entendimento artístico é am-
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