Horizonte Profundo
a GRANDE DISTÂNCIA ENTRE O AQUI E O AGORA Nicolas Beidacki Olhando atentamente as margens da Lagoa dos Patos, parada ao lado de um corredor de ferro ou virando a face para uma parede cinza, o mo- vimento existente no trabalho de Tainah Dad- da surge mais do olhar do espectador do que da própria obra. Em sua fotoperformance, a artista lida com uma contradição permanente: “Deixar Para Trás” parece sugerir um sentimento acima da ação. Realizada no interior do Rio Grande do Sul, a série aborda a temática do pertencimen- to, da fuga, das constantes despedidas que nos formam, contudo, fica eternamente presa numa atmosfera bucólica que a fotografia congela no tempo. As roupas pretas, a paisagem deserta e o contraponto de uma industrialização sugerem o confronto entre dois interiores, o externo e o interno. E, assim como o fluxo das águas, Tainah Dadda assume um movimento incessante sem nunca sair do lugar. Os pássaros que sobrevoam a imagem ou o próprio automóvel indicam um caminho a ser percorrido, um norte que a artista permite que se perca atrás de suas costas. O abandono completo ou o ato subjetivo de vi- ver a despedida sem saber aonde chegar são as
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