Horizonte Profundo

marcas de um trabalho que reside fortemente no desejo. Tudo aquilo que é físico (casa, terra, lu- gar, paisagem, pessoas) jamais irão desaparecer. A memória é um fantasma, uma figura de as- sombro que vive em comunhão com o indivíduo que a carrega. É um peso que cortará o disfarce, irá adentrar novos ambientes, descobrirá outros países e atravessará fronteiras. Afastar-se de si mesmo torna-se impossível. Migra como pode, mas estará permanentemente voltando para dentro de si. “Deixar Para Trás” se constitui des- se modo: mistura de vontade, agouro e profecia. Algo que grita calmamente sobre uma vaidade que ficará eternamente exposta, o retrato de al- guém que no final de tudo não comparece. Está perdida em algum lugar, algum tempo. Acos- tumada aos adeuses, procura apenas esconder o pranto ou o próprio destino. A travessia para Portugal, a pandemia e o novo formato de seu trabalho atestam esse símbolo de um futuro in- certo e trêmulo. Sem raízes, a artista parece per- guntar até quando terá que caminhar e o que es- tará lhe esperando quando descobrir finalmente o que procura. Ta i n a h D a d d a

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