Horizonte Profundo
sombra – caracteriza-se como um vetor de saída de um território, Pelotas, e, ao mesmo tempo, como um esforço de se reterritorializar em outra parte. O desejo de viajar com os espaços, ter sua presen- ça acoplada na traseira de um caminhão e vê-lo surgir, dispor grandeza e cor numa imensidão re- cém descoberta faz do desconhecido ummomento a ser guardado. No sul mais ao sul do Brasil, nunca adaptar-se completamente, nunca ceder comple- tamente, mas vibrar e se arriscar com a amplitude desses desejos. Perceber a importância de confun- dir o tempo dentro da invenção de um lugar. Es- tar na fronteira entre o que é desejo e o que nem mesmo se compreende, sair da sombra de um apa- gamento quase permanente da individualidade e adentrar no centro de outra história, inventada, praticada e repleta de contornos numa penumbra de anseio e admiração. Ferir expectativas é também uma de suas qualida- des poéticas. O imaginado e o real negociam, a todo o momento, sua presença com a geografia. No Las Acácias, espaço onde a instalação ocorre, o verde, o vento, o clima e o relevo articulam uma trama na qual precisamos estar sempre abertos para que rachem o sentido original do que propomos. É um acordo: três indivíduos migram um lugar para den- tro de outro. Aceitamos a complexidade do ambien- te, porém o inserimos na elaboração desse estra- nhamento entre o original e o estrangeiro. Busca-se fazer do lugar – as estruturas – parte fundamental do problema sobre onde estamos e onde queremos estar. Dessemodo, oacontecimento– tempodispos- to na construção – se fixa como o ponto central da pesquisa. A performance, a escultura e a instalação só poderão surgir após um momento contemplati- vo e a devida ação que será exercida dentro desse ambiente. A união entre tapumes, cores e paisagem se transforma num lugar de espera, como quem nos diz: jogue e descubra o que sou. Lance o próprio corpo e vivencie a descoberta de um possível sen- tido. Uma estrutura que pode existir sozinha, aban- donada, parada, ou rever suas próprias qualidades de existência a partir do momento que se relaciona com os outros. c r u p o t . e . l . a .
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