Horizonte Profundo

Pensar a relação entre o corpo e a cidade pode partir de diversas perspectivas: o olhar, o cami- nhar, o sentir, o descobrir, etc. Um estrangeiro e um nativo veem aspectos diferentes de um mesmo espaço, percorrido da mesma forma. A memória afetiva de um determinado ambiente regula a sensação de um indivíduo, da mesma forma que a primeira impressão pode regular para outro. Os olhos do afeto, por vezes, são de- cisivos na construção de uma cidade e de quem a habita. Por causa disso, é comuma dicotomia nas narra- tivas de um mesmo espaço, ou ao menos a enu- meração de pontos diferentes para pensar nele. A pessoalidade interfere no ambiente e sua nar- ração é singular. Invariavelmente, um lugar que é habitado por muitos indivíduos nas situações A visão prismática das cidades em movimento Laís Possamai mais diversas, que recebe um constante número de estrangeiros, moldado a partir de uma histó- ria secular, terá muitas perspectivas distintas sobre si. Pelotas é uma dessas cidades, onde a visão dos percursos pode ser feita através do prisma de outros olhos. Os artistas que integram esse projeto curatorial pensam a cidade de formas distintas, embora todos sejam conectados, em algum momento de suas trajetórias, com Pelotas. Essa semelhança traz questionamentos que dialogamentre si e com o ambiente, mas também com a materialidade, o corpo e o tempo. É através de suas projeções que pensamos o lugar como um disparador artístico, capaz não somente de modificar perspectivas já estabelecidas, mas de gerar novas discussões e novos caminhos ao entender a cidade. P R O J E TO E D U C AT I VO

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