Horizonte Profundo

METADESVIO: A COR NO ESPAÇO Há três anos, o grupo T.E.L.A. – Teatro da Estru- tura Latino-Americana, propõe uma pesquisa em instalação, espacialidade e performance, com ra- ízes na cenografia teatral e na busca por diálogos artísticos através da criação das estruturas. Esses elementos, constituídos de materiais diversos, são levados até a paisagem e ativados pela cor, ambiente ou performance. A interação é intima- mente ligada à ocupação desses espaços, utilizan- do-os como dispositivos de percepção do lugar. No caso de “Metadesvio”, a conexão entre a estru- tura e o espaço se deu pela sobreposição de co- res, na condição de desviar a performance para a montagem, ao invés de construí-la sobre a es- trutura. A performance torna-se, então, o ato de criá-la. Realizada no caminho para o Laranjal, em Pelotas, a ação contrapõe os elementos do urbano, como o tapume, num ambiente onde não há pré- dios a serem ocultados, e onde o sentido da sua materialidade reside muito mais no rosa vibrante que o compõe, contraposto ao verde igualmente vibrante que não é convencional ao centro. Esse contraste dá novo sentido aos elementos, bem como à sua funcionalidade. Se antes serviam como adjacências de um lugar comum, passam a ser fundamentais para a experimentação, monta- dos de diversas maneiras, criando labirintos den- tro da estrutura. Proposições e experimentações A construção de estruturas é inerente à infância. A tenda de lençóis, a casa de bonecas, a pista de corrida, são todas relacionadas ao fazer artístico que cria o ambiente para performance. Separar materiais e delimitar o espaço de ativação dos mesmos é estabelecer as bases de uma estrutu- ra. A performance, convertida em brincadeira, é a criação do espaço imaginado. Como delimitar es- ses espaços no ambiente escolar? Como possibili- tar o acesso a materiais que conversem com essa criação? As alternativas partem, muitas vezes, do diálogo estabelecido entre o ambiente escolar e o ambiente doméstico, mas podem ser dispostas também numa atividade grupal. 1. Cenografias do cotidiano Peça aos alunos para levarem tecidos para a esco- la, de cores e tamanhos variados (lençóis velhos, panos, etc.). A atividade pode ser realizada em sala, mas se houver um pátio, disponha os tecidos e cadeiras da sala de aula de forma que os alunos possam interagir, montar e remontar tendas, atra- vessar os tecidos pelas cadeiras e experimentar os formatos de montagem. Registre o processo, bem como as variadas disposições que a estrutura to- mar. Estabeleça esse circuito de interação com o ambiente inventado, os porquês das escolhas da montagem e como circular por esse novo espaço. Da mesma forma, a atividade pode ser pensada no ambiente doméstico. O aluno pode escolher um lu- gar da casa para construir essa estrutura, com ca- deiras, poltronas, vassouras, sob uma árvore, etc., com o uso dos panos coloridos que dispuser. Igual- mente, deve ser realizado o registro da construção e das maneiras diversas de pensar o seu formato, a ser apresentado em sala de aula. Materiais necessários: Tecidos de diversas cores e tamanhos, cadeiras (ou poltronas, vassouras, portas, árvores, etc.) e celulares ou câmeras para registro. 2. Ver a cor Compapéis celofane de diversas cores posicionados sobre a lente das câmeras (de celulares, digitais, ou analógicas), fotografe com os alunos os espaços da escola, a paisagem da janela, o pátio, os ambientes domésticos, etc., sempre alternando cores e experi- mentando a luz e a sombra das imagens. Discuta a respeito das novas perspectivas possibilitadas pelo filtro de cor, como os objetos mudam, como as som- bras se alteram e inventam novas formas. A atividade também pode ser realizada em casa, com o auxílio dos responsáveis, e levada para a es- cola para discussão. É interessante também expe- rimentar, se os registros são realizados com celu- lar, o uso de filtros de aplicativos sobre a imagem retratada com o celofane colorido. Materiais necessários: Papéis celofane coloridos, câmeras para registro.

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