Horizonte Profundo
O QUE PERMANECE EM DEIXAR PARA TRÁS A artista Tainah Dadda, dentre muitas linguagens nas quais desenvolve seu trabalho, utiliza da per- formance registrada para abordar o tema sensível da partida. “Deixar para trás”, seu trabalho em pro- cesso desde 2015, insinua a mudança constante, o corpo em busca de estar presente na continuidade do movimento, a atividade migratória e o estabele- cimento de vínculos com a paisagem. Essa partida deliberada presume também o ato de levar consigo algo, que no caso da artista, está re- presentado na cadeira, objeto de contemplação do lugar. A bagagem da memória, da melancolia e da falta também residem no material simbólico e lúdi- co da performance, como se o ato de deixar para trás previsse, inicialmente, o vínculo estabelecido com alguma paisagem anterior. Proposições e experimentações Estamos sempre em movimento enquanto indi- víduos, seja fisicamente, quando partimos de um ponto a outro, ou afetivamente, quando resgatamos memórias de tempos passados, ou projetamos o fu- turo. Admiramos nesse percurso diversas paisa- gens, reais ou imaginárias, e habitamos esse lugar, mesmo que momentaneamente. Toda trajetória escolar é pautada em caminhos: não seria o trajeto até a escola um percurso preparatório da rotina? A definição das salas, que definem as turmas, que definem os núcleos sociais, partem dos lugares de afeto e contemplação da infância e da juventude. Esses vínculos um dia transformam-se em outros, todos elementos criadores de um percurso poético e prático de transição. 1.Lista de partida Peça aos alunos para criarem uma lista, através de registros, colagens, desenhos ou escrita, de itens a serem levados ao partir. A concepção dos itens e do ato de partir é ampla e pode ser interpretada de diversas formas: os itens e o lugar podem ser reais ou imaginários. Discuta a respeito das escolhas e estabeleça relações entre a “bagagem” pessoal de cada aluno e suas próprias concepções a respeito do assunto. Materiais necessários: papéis, lápis, recortes de re- vista, cola, tesouras, câmeras para registro. 2. Retratos da memória Peça aos alunos que se dividam em duplas ou gru- pos e que narrem ao seu(s) parceiro(s) uma pai- sagem importante da sua infância, da sua casa, de uma viagem, etc. O parceiro ou o grupo devem retratar essa paisagem com desenhos, colagens, registros fotográficos, montagens e apresentar ao narrador. O inverso deve acontecer, e o primeiro narrador deve ouvir seu(s) parceiro(s) e também retratar suas memórias. Depois, o resultado pode ser dividido e discutido entre a turma. Analisem as modificações na narrativa baseadas na experi- ência, os elementos ressaltados pela memória, as alterações que podem ser feitas pelo próprio narra- dor, e dividam entre os grupos. Materiais necessários: papéis, lápis, recortes de re- vista, cola, tesouras, câmeras para registro.
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