Horizonte Profundo
ENTRE O PARTO E O ESTRONDO: PAISAGENS ALÉM DO COTIDIANO A produção do artista Ali do Espírito Santo é inti- mamente ligada à performance, mas também per- passa a escrita e a criação de fotoimagens. Seus trabalhos são carregados de forte simbolismo re- lacionados à hiperficção, às mitologias mágicas e à política. Essas conexões criam bases para um es- tudo de imagens atreladas ao corpo, ao ambiente e às razões estéticas da performance. Dentre seus trabalhos, “Entre o parto e o estrondo”, desenvolvido em 2017 e indicado ao Prêmio Alian- ça Francesa Arte Contemporânea do mesmo ano, cria um diálogo subjetivo entre a paisagem ficcio- nal e a real. A interferência do gesto não comum na imagem é parte do objetivo do artista, que abre a significação do trabalho para sentidos mais am- plos de entendimento. A análise pode ser pessoal e subjetiva, mas sempre parte do pressuposto do cotidiano incomum: uma paisagem imaginária, um gesto particular, uma idealização onírica da realidade. Proposições e experimentações Vivenciar o cotidiano é um exercício da realidade: estamos dispostos diante de uma série de aconte- cimentos banais que definem a rotina, geralmente estipulados por ordem de importância ou neces- sidade. Acordamos, trabalhamos, comemos, nos comunicamos, nos deslocamos, retornamos para casa, dormimos. Nesse ínterim, podemos abrir bre- chas para outros tipos de experiência do campo subjetivo e estético: ouvir música, contemplar uma paisagem, ler um livro, imaginar, sonhar. Quais re- lações podemos estabelecer entre essas experiên- cias e a vivência em sala de aula? Como conciliar as obrigações da realidade e o potencial imaginati- vo da irrealidade na produção em artes? 1.Inversões da realidade Sugira aos alunos que pensem em suas próprias rotinas e nas atividades que realizam ao longo de um dia. Eles devem escolher, a partir disso, uma atividade para ser “invertida”: escolhendo um obje- to ou uma tarefa e repensando a forma de utilizá-lo ou executá-la; por exemplo, como sentar em uma cadeira, como se olhar no espelho, como abrir uma porta, etc. Os alunos devem executar e registrar esse novo método de pensar o espaço, o ambiente e os objetos de seu entorno, e apresentarem para a turma. Podem, ainda, sugerir atividades uns para os outros, de modo que possam executar uma ação coletiva da “inversão” de um objeto. Por fim, discu- ta as relações estabelecidas por eles e como chega- ram aos seus resultados. Materiais necessários: objetos do cotidiano, celu- lares e câmeras para registro. 2. Palavras do futuro Utilizando recortes de revistas e jornais, fotogra- fias, vídeos, desenhos ou escrita, peça aos alunos para pensarem e ilustrarem realidades alternati- vas do presente ou do futuro. Eles devem listar e elucidar a respeito do que esperam do futuro ou, ainda, de um presente alternativo. Como se dariam as relações sociais, as cidades, o contato com o am- biente, etc. Os alunos podem também criar propo- sições de performance a partir de suas narrativas, e trazê-las aos colegas ou executarem e registra- rem seus trabalhos. Após, discuta a respeito das escolhas feitas e das possibilidades desse futuro ou presente idealizados. Materiais necessários: papéis, tesouras, cola, re- cortes de revistas e jornais, lápis e canetas, foto- grafias, celulares e câmeras para registro.
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=