Horizonte Profundo

O PAMPA NÃO SE DOBRA NO TEMPO Nicolas Beidacki É cada vez mais improvável falar sobre a vida sem falar sobre pertencimento. A geografia da solidão, evidente na maioria dos jovens vindos de outras re- giões, torna-se uma característica de um território programado para abarcar despedidas, ausências e que se encontra incapaz de lidar com a sua própria realidade. Marcada por épocas de abandono e va- zio, Pelotas adentra na pele e instaura a sensação de que estamos suspensos, vivendo sob o manto de um exílio permanente. A contagem dos dias, a espera e o cansaço tornam-se um ciclo repetitivo e desgastante para indivíduos que viveram o desloca- mento e a mudança. “No soy de aqui, ni soy de Allá”, composição de Facundo Cabral entoada na voz de Jorge Cafrune, opera de forma exemplar esse senti- mento repleto de dualidade. Os ares de milonga, típi- ca canção das regiões platinas, destacamna história um sentimento que se multiplica: é preciso sair e ver o mundo interior se espalhar nas planícies, cair na terra e se debater. Descobrir que o silêncio não é nada mais que um eco frágil tentando ganhar corpo, uma vibração assustadora antes de se assumir solitário Em Clareza, o pampa infinito e exato me faz andar; em Rigor, eu me entreguei aos caminhos mais sutis; em Profundidade, a minha alma eu encontrei e me vi emmim. Vitor Ramil Milonga de Sete Cidades

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